Comparada com a potencialidade econmica do pas, o nvel da educao bsica brasileira est em ltimo lugar no mundo. A informao est num relatrio preparado pelo Unicef (Fundo das Naes Unidas pela Infncia), a ser divulgado este ano no Brasil.

O dado  preocupante no apenas por revelar a baixa taxa de cidadania. Revela tambm um obstculo para o crescimento econmico, cada vez mais dependente de mo-de-obra educada, compatvel com o avano tecnolgico.

A pesquisa sobre a situao educacional no mundo est includa num relatrio intitulado "The Progress of Nations" (O Progresso das Naes).

Para se determinar a posio de cada nao, o Unicef comparou a taxa de evaso escolar com o Produto Interno Bruto per capita soma de todos os bens e servios produzidos, dividida pela populao do pas.

Para cada pas foi estipulada uma taxa de crianas que deveriam ter completado pelo menos cinco graus de escolaridade.

Essa taxa corresponde ao nvel da potencialidade econmica, definido pelo PIB, de cada pas.

Essa taxa foi ento comparada com taxa real de escolarizao. O nvel real de escolarizao foi subtrado do nvel esperado. Este valor definiu a posio do pas no ranking de 129 naes.

Pelo potencial econmico brasileiro, pelo menos 88% das crianas matriculadas no primeiro grau deveriam concluir pelo menos a 5 srie.

Com base em dados fornecidos pelo Ministrio da Educao, a lista da ONU informa que apenas 39% chegam a este estgio. Com isso, o pas ficou com ndice negativo de 49 pontos.

Acima do Brasil, est o Gabo, na frica, com ndice negativo de 40 pontos. Na Amrica do Sul, naes bem mais pobres do que o Brasil exibem um ndice expressivamente mais alto. O Paraguai, por exemplo, recebeu 6 pontos negativos ou seja, est prximo do nvel aceitvel.

O Uruguai apresenta 6 pontos positivos. Eles deveriam ter matriculados 88% das crianas at a 5 srie: sua taxa  de 94%, comparvel aos pases mais desenvolvidos do planeta. Na Sua, todos os meninos (100%) continuam nas escola at esse estgio.

O ministro da Educao, Murlio Hingel, admite: "Apesar de todos os esforos, nosso ensino bsico  vexaminoso."

Segundo as estimativas do ministrio, apenas 22% dos alunos completam a 8 srie. S 5% conseguem concluir o 1 grau sem repetir um ano.

A mdia de permanncia na escola de um aluno que completa a 8 srie  de aproximadamente 12 anos.

" um tremendo desperdcio de recursos. Tivssemos uma taxa menor, haveria menos sobrecarga de professores e salas de aula", afirma Hingel, numa opinio compartilhada pela imensa maioria dos educadores brasileiros.

Ao se aprofundar a discusso do desperdcio da repetncia, encontra-se um antigo mito: a criana sai da escola por falta de condies econmicas da famlia.

As mais recentes pesquisas esto demonstrando que a famlia valoriza a educao, vista como um mecanismo de ascenso social.Mas o aluno no consegue progredir, assimilar conhecimento e, depois de vrias tentativas em meio  repetncia, engrossa as estatatsticas de evaso escolar.

H uma srie de fatores que confluem: os professores recebem baixos salrios e so mal-treinados, a metodologia e o currculo so inadaptados, o aluno chega  sala de aula sem nenhuma base educacional da famlia ou da pr-escola.

At as instalaes facilitam a evaso, criando um ambiente inadequado.

Recente pesquisa patrocinada pelo Ministrio do Planejamento mostra que, em 75% das escolas pblicas, no existem banheiro ou eles no esto funcionando.

O Ministrio da Educao calcula que existem ameaas dificultando a melhoria das escolas.

Devido a mudanas legais, facilitaram-se as aposentadorias de professores, o que fez aumentar a despesa do ministrio com inativos.

At cinco anos atrs, os gastos com aposentados representavam 15% da folha de pessoal do ministrio. Agora, chegam a 40%, cerca de R$ 700 milhes por ano.

O ministro Hingel chega a prever o que chama de "caos": "Se mantivermos esse ritmo, num prazo de 10 anos todas as verbas do ministrio sero destinadas apenas aos aposentados".
